Artesan

Alagoas: Piranhas, Ilha do Ferro, Boca da Mata, Capela e Japaratinga

Criado em 16 de Dezembro de 2020

 

Alagoas é um estado referência no artesanato. Viajar por aqui é conhecer e se encantar com cada pedaço dessa terra. Depois desta imersão, precisamos de um tempo para digerir toda a história e cultura que agora fazem parte do nosso conhecimento. Esses dias no interior do estado alagoano certamente irão ficar na nossa memória com muito afeto.

 

Definir nosso roteiro não foi fácil. Alagoas tem muitas cidades ricas culturalmente e belíssimas naturalmente. Fizemos uma rota e cancelamos por motivos pessoais, mas retomamos a viagem na semana seguinte com um roteiro um pouco diferente do anterior.

 

Saimos do Recife no final do dia de uma sexta-feira para dormir em Garanhuns, metade do caminho para Piranhas. Estávamos muito animados em visitar o Rio São Francisco, afinal, não é qualquer rio. É o São Francisco e cada pedaço dele tem uma particularidade, lenda e história.

 

Ficamos hospedados no Pedra do Sino Hotel, que tem uma vista incrível. Chegamos na hora do almoço. Lá é tão quente que o vento parecia um bafo soprando no nosso rosto. Esperamos o entardecer pra descer e conhecer a cidade. E que cidade!! O sítio histórico de Piranhas foi tombado pelo IPHAN em 2004 e suas casinhas coloridas e preservadas são de tirar o fôlego. Conhecemos o Centro de Artesanato e o Museu do Sertão que relata a história da cidade, do cangaço e a passagem do grupo de Lampião por lá.

 

Piranhas é a cidade porta de entrada para a Rota do Cangaço. Ficou famosa por ser a primeira a expor a cabeça de Lampião e de seu bando após a emboscada. Além desse roteiro, também fizemos o passeio do Cânion do Xingó no “Rio de cima” (como é chamado o rio acima da barragem), uma das principais atrações do estado. Não vou me delongar muito sobre esses assunto, visto que não é o contexto do blog, mas vou compartilhar um hábito que temos, que é de sempre procurar fazer os passeios com o pessoal da comunidade local. Quem nos ajudou foi Cicero, funcionário do Hotel Ponta do Sino, e, caso você queira mais informações, pode entrar em contato conosco pelo e-mail ajuda@artesanbrasil.com.br.

 

 

Ao lado de Piranhas, fomos de barco conhecer a cidade de Entremontes (entre rios e montes), famosa pelo bordado Rendendê. A técnica consiste na contagem dos pontos a partir da trama do tecido. São sempre geométricos e os nomes dos pontos remetem a algo da natureza ou cotidiano. Em Alagoas, os bordados são bem característicos de algumas cidade: em Entremontes, o Rendendê; na Ilha do Ferro, o Boa Noite; em Capela, Mimos de Perol e por ai vai… Vamos citar alguns por aqui.

 

 

Após dois dias em Piranhas, partimos para a Ilha do Ferro. Os aplicativos de celular indicam um caminho que precisa passar por uma balsa, porém existe dois caminhos mais curtos que eles não identificam: Um é por uma estrada de terra batida que sai de Piranhas direto para a cidade (cerca de 40km) e outro (que optamos ir) que vai até a cidade de Pão de Açúcar e pega um caminho de terra batida de certca de 15km.

 

 

A Ilha do Ferro é uma cidade recheada de arte e criatividade. Ela tem tem esse nome por ser rodeada de riachos que, cheios, isolam os moradores em alguns períodos do ano, e Ferro porque é o sobrenome da primeira família que povoou a cidade.

 

Separamos um dia mas, depois da experiência que tivemos, certamente ficaríamos mais uns dois. Começamos pela casa de Camille, neta de Sr. Fernando Rodrigues, o grande artesão que transformou a Ilha do Ferro no que ela é hoje, com seus bancos de madeira com os pés que lembram as raízes de uma árvore. Ela faz diversos tipos de artesanato, mas a continuidade do trabalho dos bancos ficaram com Valmir, genro de Sr. Fernando.

 

 

Em seguida, fomos acolhidos pela família de Aberaldo. Sua esposa, Dona Vana, é proprietária de uma pousada e de um restaurante daqueles de comida caseira que você não consegue sair mais. E sua filha Mariana é a organização em pessoa que anota todas as encomendas do pai.

 

 

Mariana nos levou para o Espaço de Memória Artesão Fernando Rodrigues dos Santos, um museu na cidade que abriga peças de vários escultores e bordadeiras inaugurado em 2017.

 

Seguimos nossa visita para a Cooperativa ArtIlha para conhecer o famoso bordado Boa Noite da Ilha. Perfeição nos mínimos detalhes, que trabalho incrível! Bem perto de lá está a casa de Vavan, nossa penúltima parada na cidade. Ele nos deu uma aula sobre o rio São Francisco e seus trabalhos. Sua casa tem uma área gigantesca para guardar todas as suas produções. Esse gosta de colocar a mão na massa. “Construi essa canoa em 15 dias e levantei minha casa sozinho em 18 dias”, conta orgulhoso. Para conhecer mais sobre Vavan clique aqui.

 

 

Na volta, passamos rapidamente na casa dos irmãos Cícero e Salvinho. Ficamos com o horário apertado porque não queríamos pegar a estrada à noite. Apesar de rápido, foi muito bom conversar com os irmãos e conhecer um de seus aprendizes. Para conhecer mais sobre Cícero, clique aqui.

 

Partimos da Ilha do Ferro com pena e vontade de voltar novamente o mais breve possível. Nesta noite dormimos em Arapiraca.

 

No dia seguinte marcamos um encontro com André da Marinheira em Boca da Mata. A última vez que estive na cidade foi em 2014 e é sempre muito bom voltar. Marinheira, o pai de André, tem um nome muito importante e é referência no artesanato alagoano. A cidade tem até uma praça em homenagem a ele.

 

Logo em seguida partimos para Capela e cruzamos uma bela estrada cheia de fazendas de criação de gado. Foi uma paisagem bem diferente do sertão que visitamos nos dias anteriores. Chegamos lá e fomos direto para o Caldinho de Capela, que é patrimonio imaterial de Alagoas Já era quase 12h e eles fecham pontualmente nesse horário, mas deu tempo.

 

Bem alimentados de caldinho, fomos primeiro para o atelier de Sil, uma artesã muito talentosa que aprendeu a trabalhar no barro com João das Alagoas. Hoje, é famosa pelas suas jaqueiras e perfeição nos detalhes. Em seguida fomos para o atelier de seu mestre, João.

 

Ele, Sil e outros artesãos trabalham no mesmo conjunto de ateliês logo na entrada da cidade. João é extremamente carismático e eu sou admiradora do seu trabalho desde sempre. Ele é uma pessoa que tem a bondade no coração, gosta de ensinar aos outros e vibra com o sucesso de cada aprendiz. João gosta de retratar seus personagens sorrindo e essa característica acabou sendo adotada por vários alunos seus. Saí de lá ainda mais encantada!

 

Como não podia deixar de ser, João nos falou de um bordado maravilhoso da cidade de Capela, o Mimos de Perol. Não conhecia, mas ele me explicou como chegava e fomos parar lá. Amei o trabalho, muito fino e delicado, comprei algumas roupas e partimos para nossa última parada: descansar um dia na praia de Japaratinga.

 

É isso. Espero que tenham gostado desse roteiro. Ficamos muito felizes em compartilhar essas experiências com vocês. Qualquer dúvida, comentário ou experiência que você ache que pode agregar a nossa história, manda uma mensagem pra gente, vamos adorar receber notícias suas.