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Os desafios do comércio justo no artesanato brasileiro

Criado em 17 de Agosto de 2020

O comércio justo é uma proposta de inclusão socioeconômica que surgiu há muitas décadas no exterior, mas só agora começa a ganhar grande reconhecimento no Brasil. Na sua prática devem ser observados, na cadeia produtiva – que envolve fornecedores, produtores, vendedores, lojistas, consumidores e organizações de apoio – alguns princípios como: 

  • Oportunidades para pequenos produtores;
  • Transparência na comercialização;
  • Apoio ao crescimento dos produtores;
  • Pagamento de um preço justo;
  • Boas condições de trabalho;
  • Não à qualquer tipo de exploração do trabalho;
  • Preservação do meio ambiente.

 

Sendo assim, o comércio justo se torna essencial em vários setores do mercado brasileiro, como a agricultura orgânica e familiar, moda independente e, também, o artesanato. Essa questão obviamente é bastante complexa, mas há nesses mercados um enorme potencial de geração de trabalho e renda. 

No artesanato, observamos, por exemplo, uma grande dificuldade entre os artesãos, mesmo com o apoio oferecido por iniciativas como o SEBRAE, algumas vezes a falta de visão compromete a sustentabilidade de suas atividades. Cabe então, uma parte dessa solução, às empresas que compram a produção desses artesãos de praticarem uma negociação justa, que atenda tanto às necessidades do produtor como as suas necessidades comerciais. 

Na outra ponta da cadeia, o consumidor é um parceiro fundamental do comércio justo. O comportamento do público brasileiro tem se alterado positivamente nos últimos anos, há mais valorização do artesanato e reconhecimento da sua importância cultural. No entanto, a grande mídia ainda promove a atividade artesanal como “receita de bolo”, sob uma perspectiva industrial, provocando uma visão por vezes desqualificada da produção artesanal, de forma generalizada.

Além dessas dificuldades, a falta de políticas públicas como qualificação profissional, resgate de valores étnicos-culturais, criação de selos de origem e qualidade também contribuem para dificultar a estruturação do artesanato de qualidade num segmento organizado e rentável em todas as suas etapas.

Apesar disso, OArtezan continua acreditando numa rede qualificada de valorização do artesanato brasileiro, seja para preservá-lo como patrimônio cultural bem como para posicioná-lo como fonte efetiva de trabalho e geração de renda. Desde 2013, OArtezan busca realizar compras justas, orientar seus fornecedores sobre processos produtivos, insights de criação e, principalmente, garantir que seu trabalho garanta um meio de vida digno aos artesãos.